sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Saber Amar

Será este o fim anunciado desde o primeiro dia? Ou será a ilusão da felicidade do primeiro beijo que chegou ao fim?
 Afinal continua a custar, se custa! Dói interiormente como tudo. O peito fica frio, a barriga e a cabeça ficam baralhadas, tremes por tudo o que é sítio, não paras de pensar sobre o mesmo e terrível assunto que te assombra. Não estou a falar da pessoa que mexe contigo e que sonhavas dar um beijo. Estou a falar da pessoa que amas e sonhas um dia partilhar a chave da mesma casa, que te está a abandonar.
 Merda para o amor que desorienta-te e faz-te acreditar em tudo. Valerá a pena insistir em algo que idealizaste a melhor história de amor que sempre viveste, mas que no fundo sabias que era só uma história daquelas dos contos de fadas? Quero ter forças interiores que me digam que sim e que me façam aguentar a luta quase invencível contra o mauzão da fita, o “desgaste”, mas acho que já não as tenho. Precisava de ti, se nos juntássemos para combater o temível, tenho a certeza que iriamos conseguir uma vitória brindada com momentos fantásticos e triunfantes como já tivemos enquanto ele estava longe.

 Amar é tão bom. Amar e ser amado é indescritível. Não deixem o "desgaste" chegar ao pé de vocês! Não dependam um do outro, não passem 24h a mandar mensagens lamechas, não façam chamadas de horas indetermináveis, não deixem de ir à sexta à noite ao café com os amigos, não passem a vida a fazer declarações de amor, por favor, não cometam esse erro, peço-vos por tudo! Se acreditam no amor, não o façam. Isso é um truque infalível do “desgaste”, em que finge que as coisas estão melhores que nunca, aproximando-nos o máximo que consegue e fica à espreita da menor oportunidade de deslize para mostrar a cara por trás de todos os momentos que idealizávamos perfeitos. E quando ele aparece, ou unem-se os dois com a maior força do mundo, como a do primeiro beijo e lutam juntos, ou deixam-se levar e “passávamos muito tempo juntos” ou simplesmente “acho que já não sinto o mesmo”. Claro que não! E sabem porque? Porque são uns estúpidos de uns apaixonados loucos que caíram no velho truque do “desgaste”, esse imbecil.

 Lembrem-se, não se beijaram porque sim. Não se começaram a falar porque era conveniente e até gostavam das mesmas coisas. Não saíam juntos no início só porque era novo e até se passava bem o tempo. Não, não fizeram nada disso só porque vos convinha. Tenho a certeza. Fizeram isso porque interiormente acendia-se uma chama, uma vontade de conhecer melhor a outra pessoa, uma curiosidade em saber os interesses, um reparo anormal de começar a observar nos pormenores do outro, um tremor e ansiedade de saber que iam estar juntos. Baseiem-se nisso e unam forças, vocês já desfrutaram de momentos tão memoráveis!

Espero que não cometam este erro mortal que consegue por termo ao que mais se pode querer na vida, no meu caso uma pessoa inteligente e magnifica como tu és! Tens sido um exemplo e uma fonte de inspiração em decisões importantes que tenho tido ultimamente. És sem dúvida uma pessoa diferente, um “ser estranho”. Complicada, incompreensível e incompreendida por vezes, mal humorada, principalmente de manhã. Não toleras asneiras, nem faltas de respeito. Irritas-te com facilidade. Mas o teu melhor disfarce é sem dúvida esse ar frio e arrogante com que te caracterizam …  Por trás disso há uma pessoa tão, mas tão doce, com tanto amor para dar, com um grau de sensibilidade tão alto. Uma pessoa tão frágil que necessita de um grande homem ao lado para dar todo o carinho do mundo e mais algum. Desculpa se por vezes sou insensível e não compreendo que estás mal. Desculpa se não dou a atenção devida. Desculpa por ser bruto como falo e ser um estúpido em atitudes que tomo.

 Quero-te só dizer hoje, passado 5 meses que tenho a certeza do que sinto por ti. Amo-te, e isso é incondicional  


Ricardo Marinheiro 

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Não aos Patetas !

Que pateta! Era mesmo, um pateta. Pensava que isto do “estar apaixonado” e voltar a acreditar no amor era conversa do passado, mas pelos vistos … voltou.
 Estive zangado, desiludido, depois triste e por fim, estava indiferente. Pensava que já não me afetavam essas coisas. Parecia que estava imune, com uma espécie de proteção contra romantismos e beijos demorados, contra finais felizes e dedicatórias de amor, contra tudo o que parecesse perfeito a dois. Histórias de príncipes e princesas deixei-as na televisão. Cada vez que olhava para um casal pensava “Tenho pena. Um deles deixará de ter aquele sorriso de orelha a orelha e vai afundar-se em lágrimas.” … que pateta.
 Tudo tem um fim, acreditem. Ou então façam como eu e não acreditem até vos mostrarem. Mas volto a dizer tudo tem um fim. Pode haver vários fins e isso é o ponto essencial para entenderem e aceitarem a repetida expressão de que tudo acaba. Pode acabar mal, catastroficamente, terrivelmente inesperado ou pode acabar bem, com um sentimento de paz e de tranquilidade, de dever cumprido. Pode acabar com a recordação de todas as partilhas de amor, com todos os carinhos, beijos e abraços, brindes memoráveis … mas tudo tem um fim.
 Enquanto esse fim não chega, aproveitem. Deixem-se levar na onda e tentem manter-se na crista, aproveitando-a ao máximo, entrem no tubo e disfrutem das sensações que ela vos dá. Eu estou a fazê-lo e garanto-vos que é das melhores sensações do mundo. Não sejam patetas, é que eu fui. Nem estava à espera, como já disse, parecia que não acreditava em nada destas coisas já, mas aconteceu e desde esse dia que me sinto diferente.
 Nem me lembrava da sensação de um abraço apaixonado, de um beijo demorado, nem sequer um passeio de mão dada à beira mar. Que momentos magníficos, o brilho e encanto que existe neles torna tudo perfeito. Acordo todos os dias com a vontade de conquistar o mundo, tu dás-me essa confiança. Não quero entender o que me faz sentir assim, é de loucos, é verdade, mas acho que é aqui que está a essência do que nos está a acontecer. Estas coisas não são para compreender e quem o faz, é pateta!
 Vou dormir. Levo a sensação de paz na alma de ter alguém que gosta de mim. É bom assim, a vida fica mais colorida e fácil. Não é uma declaração, nem é essa a intenção. Escrevo porque preciso de dizer ao mundo para acreditarem no que vos faz feliz e lutarem por isso. Escrevo porque quero que acreditem no amor e no romantismo, ele é demasiado bom para ficar escondido naquela gaveta dos medos. Não sejam patetas, é que eu fui e hoje sei que errei em ter sido, mas faz parte e foi mais uma lição de vida. Hoje estou bem, sinto-me apaixonado e confiante!

 Aproveito para dizer que és uma pessoa fantástica. Não preciso referir o teu nome, sabes que é para ti.



Com amor, Ricardo Marinheiro.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

O tímido

"Com a evolução acelerada do mundo, graças a todas estas novas formas de comunicação entre as pessoas, podemos ser levados a pensar que o género humano também está a acompanhar esta evolução. Nada menos verdade: telemóveis e sms afastam as pessoas, que acabam por passar menos tempo juntas. Além disso cada um é como nasce e raramente se afasta da sua verdadeira natureza. Quero com isto dizer que quem nasce malandro morre malandro, da mesma maneira que quem nasce tímido, morrerá tímido.
Não interessa que idade tem um Tímido, se é uma brasa com 1.90, cabelo ondulado, olhos claros como faróis e uma prancha de tanque de lavar a roupa nos abdominais, ou então baixinho, feio e peludo, o Tímido é sempre tímido e pouco ou nada a fazer, a não ser puxar por ele. 
O Tímido é igual aos outros homens, mas muito mais lento: ele precisa de tempo, de espaço, de contexto, de motivação para se sentir seguro em cada passo que der em frente. Ele sabe que se avançar depressa as coisas tanto podem correr bem como mal, por isso prefere esperar para ver. O Tímido nunca corre atrás, porque não é um predador nato. Ele põe-se a jeito, qual pescador que lança a linha nas águas do rio, esperando que o destino se desenhe na ponta da cana. Ele pensa muito no assunto, muito mais do que aparenta, mas mantém a calma e a compostura, porque a sua natureza é reservada. Só o tempo, a convivência e a confiança conseguem ultrapassar esta barreira invisível que existe para todas as pessoas, menos para aquelas que ele deixa entrar na sua vida.
O Tímido foi sempre lento e por isso só começou a ter namoradas mais tarde do que os amigos. Sente-se atraído por mulheres com personalidade independente que sabem tomar iniciativa, embora isso também o assuste. Ele observa e hesita, adiando os avanços, sempre à espera do momento certo, porque não gosta de errar, mas sobretudo detesta levar tampas. Ele pode estar impaciente, mas resiste, resiste, resiste, e na verdade nem ele próprio sabe quando lhe vai dar um clic. Só sabe que o factor sorte o vai ajudar e confia nisso.
Eu gosto do género Tímido porque é sempre educado, palaciano, atencioso, atento, observador, calmo e ponderado. O Tímido não é óbvio nem básico, ele cose-se com linhas mais subtis. Aprecia a companhia feminina e cultiva a cumplicidade com o sexo oposto, porque como é cauteloso, quer conhecer bem uma mulher antes de lhe dar o primeiro beijo. Pode ter fantasias eróticas quando nos convida para ia ao cinema, mas o máximo que faz é envolver-nos no seu casaco se está frio à saída. E mesmo que seja o mais giro do grupo, não percebe, o que lhe dá ainda mais charme. 
Nada mais irritante do que um homem bonito que sabe que é bonito, nada mais irresistível do que um homem bonito que não percebe que é uma brasa. É por isso que um Tímido nunca perde o encanto: ainda que venha a revelar-se eventualmente um malandro de primeira linha na intimidade, ele nunca perde aquele ar de bom rapaz, simpático e afável, com quem todas as mães simpatizam e do qual todos as mulheres gostam, porque um Tímido é sempre um bocadinho misterioso e as mulheres precisam tanto de mistério como os homens. A melhor maneira de conquistar um Tímido é deixar correr o marfim e esperar o momento certo para lhe provocar o tal clic. Quem não arrisca não petisca, por isso há que saber puxar a linha sem morder o anzol e depois logo se vê o que o futuro nos reserva."

Margarida Rebelo Pinto 

segunda-feira, 4 de março de 2013

Somos UM


 Coisas novas tu vais ver, aprender, viver, mas sempre irás dizer “não percebi”.  Irás sempre viver na confusão. Nesse jovem coração maus momentos hás-de ter, mas terás também de sobreviver, pois apoio tu vais ter, somos um. Há sempre soluções nas piores situações.
 Ao teu lado estarei, que orgulho sentirei cada vez que te vir sorrir. Iremos a procura da felicidade e da paz, atrás daquela noite escura, onde se ergue o sol, esse que trás as alegrias que procuramos. Somos um, e a força de conseguirmos está nisso, eu estou contigo e tu estas comigo. Este reino um dia será teu e o segredo está em sermos um.


quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

O grande amor

 Foi a ti que contei os meus segredos, que desabafei os meus medos, para não vir a sofrer. Foi a ti que dei total confiança, que entreguei a minha esperança, de não te vir a perder. Em ti desperdicei tanto tempo, e nunca, em qualquer momento, eu viria a pensar que tu estavas de passagem, que eras uma mera miragem, que eu não podia amar. Tu eras a mulher mais sincera, mas a alma que eu era, dizias ser pequena. Em ti confiei a minha vida, porém vi de seguida que não valia a pena. Em ti adiei os meus sonhos, fingi momentos risonhos, para te agradar. Só por ti desfiz-me em pedaços, mas nem os meus abraços Te conseguiram guardar. Agora, como eu estou sozinho sigo aquele caminho onde tínhamos passeado. Hoje vejo-te nas molduras e relembro loucuras vividas no passado, só penso em tantas recordações, canto as nossas canções e muito mais que eu sei.
 Afinal, eu só te agradeço mesmo se não te mereço sabes que eu te amei !

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

O cheiro


 Parecia já esquecido, parecia mesmo. Não me lembrava, nem tinha vontade de me lembrar. Maldita a hora que abri aquela gaveta do armário para procurar uma foto velha que tinha ali guardada, nem me lembrava que ainda lá estavas tu também. Lembraste daquele lenço que usavas ao pescoço? Aquele com que eu fiquei no nosso segundo encontro … esse mesmo! Ainda o tenho, guardado no mesmo lugar que há três anos e oito meses, dobrado da mesma maneira e com o mesmo cheiro. O teu cheiro, raio das feromonas que se tendem a atrair por cheiros que nem os sentimos, mas isso são conversas de cientistas  Este sinto, é aquele cheiro dos fins de tarde sentados no banco do parque, o cheiro das longas conversas ao por do sol, o cheiro das seis e meia na escadaria da antiga secundária, dos abraços quando nos víamos, das mãos dadas pela rua e dos beijos, daqueles que me davam a segurança e a certeza que ali estava bem! Claro, não era verdade. Claro que não. Tolice a minha acreditar que tinha aquela pessoa ao meu lado para sempre.  
 Enfim, vou guarda-lo novamente, bem dobrado no sitio dele. Que lá fique com o mesmo cheiro por muito tempo, adormecido com as recordações e saudades que o acarreta, sem me incomodar. 


segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Elogio ao amor

"Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.

O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.

Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida,o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.

O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio,não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.

O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe.Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado,viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."